O deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE) esteve nesta segunda-feira (14) em São Luís para participar da inauguração da nova sede do Partido Socialista Brasileiro (Rua do Alecrim) e receber, em sessão solene na Assembléia Legislativa do Estado, a medalha do Mérito Legislativo Manoel Bequimão. Na oportunidade, o pré-candidato à presidência da República aproveitou também para conceder uma entrevista coletiva à imprensa.
Em companhia do presidente do PSB/MA, José Antonio Almeida e do deputado federal Ribamar Alves (PSB), Ciro Gomes falou aos jornalistas sobre sua visita à São Luís, fez uma avaliação do quadro político no país, apresentou um balanço de suas atividades na Câmara Federal e, por fim, comentou sua possível candidatura à presidência da República em 2010.
Em relação à aliança PT e PMDB com vista à candidatura da ministra Dilma Rousseff a presidência, Ciro afirmou que a atual relação entre os dois partidos não está fincada em bases defensáveis. “Eu duvido que o PMDB entregue a mercadoria, e estou falando por mim e assumo a responsabilidade, mas o mais grave não é que o PMDB não vá entregar a mercadoria, é o cimento dessa relação, parece que a ética não é mais relevante”, disse.
Ainda sobre PT e PMDB, Ciro continuou a opinar: “De repente o jovem brasileiro, que não sabe como nós o que era o passado, está sendo induzido a acreditar que a política é um pardieiro de pilantras onde não há vida decente, vida inteligente, e isso seria uma tragédia para um país por fazer como é o Brasil”. Quanto sua candidatura a sucessão do presidente de Lula, Ciro disse que tem “condição de ganhar de todo mundo no primeiro turno, basta o povo achar”.
Perguntado se o pardieiro de pilantras a que ele estava se referindo continha certas figuras políticos do PMDB, Ciro disparou. “Pergunte isso ao Ministério Público, a Polícia e a Justiça, não adianta que eu não vou entrar nessa conflagração paroquial radical de vocês aqui, não vou citar nomes, ora não vão querer me fazer cometer grosseria na terra do Sarney. Eu denuncio deformações coletivas do processo político brasileiro”, assinalou.
Leia abaixo a íntegra dos principais pontos abordados pelo parlamentar.
Candidatura à Presidência
A palavra desistir não faz parte do meu vocabulário, o que nós temos é uma avaliação de que o que está acima de tudo sendo jogado é o futuro de nosso país. E nós achamos que do jeito que as coisas estão caminhando não é conveniente nós apresentarmos a candidatura do PT isoladamente. Por duas razões: primeiro por que taticamente isso faz, e as pesquisas estão mostrando, o risco de nós perdemos a eleição, apesar do Lula ser uma pessoa merecidamente e extremamente bem avaliado pela população, a política tem dessas complexidades, nem sempre o camarada transfere a sua popularidade para outra pessoa. Segundo, por uma questão estratégica, que eu vou assumir por mim para que nenhum companheiro seja obrigado a responder por aquilo que eu vou dizer.
Relação PT e PMDB de Sarney
Eu acho que a atual relação do PMDB com o PT não está sentado em bases defensáveis, eu duvido que o PMDB entregue a mercadoria, e estou falando por mim e assumo a responsabilidade, mas o mais grave não é que o PMDB não vai entregar a mercadoria, é o cimento dessa relação, parece que desertou-se qualquer debate sobre o futuro do país, parece que a ética não é mais relevante, isso está causando uma desastrada erosão da confiança do povo brasileiro, especialmente dos jovens na política. De repente o jovem brasileiro que não sabe como nós o que era o passado está sendo induzido a acreditar que a política é um pardieiro de pilantras onde não há vida decente, vida inteligente e isso seria uma tragédia para um país por fazer como é o Brasil. Portanto por essas duas razões eu considero necessária a dupla candidatura.
“Pardieiros de Pilantras”
Em relação ao pardieiro de pilantras do PMDB, pergunte isso ao ministério público, a polícia e a justiça, você não vai querer me fazer cometer grosseria na terra do Sarney. Eu denuncio deformações coletivas do processo político brasileiro, eu não vou falar em nome de pessoas. Eu simplesmente tenho uma posição antiga, o que me levou a romper com o PSDB que eu fundei, rompi com o governo Fernando Henrique tendo sido ministro da Fazenda, minha assinatura está no real, eu ajudei a consolidar o plano Real. É a minha tese antiga, basicamente eu acho que essa conflagração paroquial radical entre PT e PSDB de São Paulo tem feito muito mal ao Brasil. O Sarney apoiou o Fernando Henrique e apóia o Lula, o Renan Calheiros foi ninguém menos que ministro da Justiça do Fernando Henrique e agora está com o Lula, o Michel Temer foi presidente da Câmara com Fernando Henrique e agora é com o Lula, e eu não gosto disso, isso ta fazendo mal ao Brasil.
A possibilidade de ser vice da Dilma
Quem pensar que o Lula cometeu um erro de linguagem, discuido, não conhece o gênio político do Lula; esse é o primeiro comentário. Segundo: volto a repetir, eu não preciso pessoalmente na altura em que cheguei da minha vida ser candidato a isso ou aquilo outro, eu estou profundamente entusiasmado com o rumo que o país tomou com o Lula, compreendo as gravíssimas contradições e acho que a grande tarefa de 2010 é não deixar desacelerar, nem voltar pro passado e nem sentar em cima, por que o Brasil ta melhorando, mas isso é um argumento olhando para o retrovisor, se nós olharmos a vida do povo brasileiro na saúde, na educação, na segurança, na matriz tecnológica, na competitividade sistêmica do Brasil no mundo, e esse desafio gravíssimo que é a questão ambiental e todas as entrencadas tarefas pra desmembrar uma equação de equilíbrio, então não podemos deixar 2010 ser reduzido a uma disputa plesbicitária pequena entre personalidades por mais exuberantes que sejam, uma delas que eu quero muito bem é o Lula. Nesse sentido eu até o presente momento considero necessário interpretar o ponto de vista do PSB e de uma certa esquerda democrática no país com relação ao futuro. Agora candidato a vice ninguém é, essa é a última circunstância.
Mudança de domicilio eleitoral para SP
Minha mudança de domicílio o Lula pediu, meu partido pediu, e havia uma ameaça da minha candidatura a presidência porque meu irmão é governador do Ceará.
Chances de vitória
Eu acho que tenho condição de ganhar de todo mundo no primeiro turno, basta saber se o povo também acha. Eu não vou lutar contra a Dilma que é uma companheira de muito valor, conheço ela e somos profundamente amigos e a conheço melhor de que todos os brasileiros por que tive o privilégio de trabalhar ao lado dela muitos anos, e ela honraria qualquer país como sua presidenta. Então minha questão não é contra a Dilma, a minha questão é já como eu falei, nós não podemos permitir que um erro tático nosso faça com que o Brasil volte a turma do Fernando Henrique, essa é a questão, eu interpreto que a Dilma sozinha, especialmente com essa contradições derivadas dessa aliança com o PMDB, não dê conta de vencer as eleições.
A “merda” de Lula
Eu não acho merda um palavrão, mas também não acho uma palavra bonita, o cara pode elegantemente meter a mão e roubar o dinheiro do povo todo e se não falar palavra mal feita é legal, não acho uma palavra boa, ele poderia ter se polpado daquilo. Eu discordo do pragmatismo político para a governança, nesse ponto eu sou radicalmente contra o Lula, isso tem limites.